Estou muito interessado na função didática do texto. Se ele visa a ensinar o outro a pensar com autonomia deve, em primeiro lugar, tratar de conhecimentos certos ou tidos como certos. A exposição direta, neste caso, pode ser útil quando a verdade é tal que precisa ser decorada, isto é, guardada no coração. Este é o modelo japonês de ensino/aprendizagem.
Entretanto, mesmo a fixação de algo considerado verdadeiro exige a mobilização da emoção. Assim, a "verdade" pode ser apresentada de tal maneira que o interlocutor sente como se ele a tivesse demonstrado ou descoberto. Este foi o método usado por Sócrates para convencer um escravo de que ele era capaz de demonstrar o teorema de Pitágoras.
Logo após o início da corrida espacial, os americanos concluíram que deveriam revolucionar o ensino da física. Para tal, elaboraram livros didáticos que apresentavam os temas de forma que o aluno era conduzido a tirar as mesmas conclusões dos cientistas, chegando a suas fórmulas sem precisar decorá-las. Isso funcionava melhor, obviamente, com a assistência do professor em sala de aula.
O texto didático deve, sempre que possível, ser ilustrado por diagramas, pois a comunicação gráfica é muito mais eficiente do que a fala e a escrita. Assim, o texto pode ser um instrumento indispensável na formação do autodidata. Contudo, já é possível combinar vários recursos multimídia de forma a combinar: o discurso, o texto e a representação gráfica da "verdade" que merece ser conhecida a fundo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Compreendendo textos: intenção e clareza 2/3
O texto, como discurso que visa a convencer, é menos efetivo do que o discurso ao vivo. Principalmente quando não se dá chances ao uso do raciocínio, como esclareceu Hitler sobre sua arte de fazer seguidores.
O texto poético, feito para encantar o espírito, pode passar mensagens subliminares e, a longo prazo, é mais efetivo do que o discurso vivo, ou tem efeito complementar a este. Pode-se, no texto, usar ou simular o uso da lógica quando o objetivo é convencer. Pode-se, até mesmo, simular ou conduzir o leitor ao diálogo real, estimulando-o a pensar.
Acredito, entretanto, que o autor sadio busca comunicar a verdade, ou estimular a pesquisa da verdade. Neste caso não é aceitável nenhuma simulação, mas deve-se ter em vista as dificuldades inerentes ao conceito de verdade. Sob essa perspectiva, recomendo os textos de Karl Popper, um autor que, na minha opinião, procura ser honesto quanto ao potencial de se encontrar a verdade sem esconder sua visão de mundo.
Popper assume que é preciso aprender a se comunicar com clareza e, enquanto isso não for possível, propõe o silêncio. Recomendo, em especial, sua obra A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, em que analisa - concluindo desfavoravelmente - as contribuições de Platão, Hegel e Marx para a democracia.
O texto poético, feito para encantar o espírito, pode passar mensagens subliminares e, a longo prazo, é mais efetivo do que o discurso vivo, ou tem efeito complementar a este. Pode-se, no texto, usar ou simular o uso da lógica quando o objetivo é convencer. Pode-se, até mesmo, simular ou conduzir o leitor ao diálogo real, estimulando-o a pensar.
Acredito, entretanto, que o autor sadio busca comunicar a verdade, ou estimular a pesquisa da verdade. Neste caso não é aceitável nenhuma simulação, mas deve-se ter em vista as dificuldades inerentes ao conceito de verdade. Sob essa perspectiva, recomendo os textos de Karl Popper, um autor que, na minha opinião, procura ser honesto quanto ao potencial de se encontrar a verdade sem esconder sua visão de mundo.
Popper assume que é preciso aprender a se comunicar com clareza e, enquanto isso não for possível, propõe o silêncio. Recomendo, em especial, sua obra A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, em que analisa - concluindo desfavoravelmente - as contribuições de Platão, Hegel e Marx para a democracia.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Compreendendo textos: dificuldades inerentes 1/3
Compreender a si mesmo é difícil. Compreender o outro num diálogo direto é muito difícil. Compreender o texto do outro é, às vezes, dificílimo ou até mesmo impossível. Algumas vezes o leitor não sabe ler; outras vezes o escritor não sabe escrever. A pior situação ocorre quando os dois se encontram, especialmente em textos produzidos para gerar resultados no e por meio do leitor.
Doutores têm se debruçado durante séculos sobre textos herméticos por natureza e, ainda por cima, às vezes mal escritos. O resultado tem sido muitas doutrinas religiosas, filosóficas e políticas contraditórias e com potencial explosivo. Há livros didáticos que o professor repete sem nunca ter entendido. Em alguns casos os alunos só podem sair-se bem nas provas se advinharem a interpretação que o professor quer que seja dada ao autor do texto!
Imagine, caro leitor, o desastre do sistema educional que não leva esses fatos em consideração. Alguns textos são produzidos para passar ideologias, outros são mal escritos ou têm grau de dificuldade incompatível com a condição dos alunos. Você consegue enxergar uma solução para esse desastre?
Doutores têm se debruçado durante séculos sobre textos herméticos por natureza e, ainda por cima, às vezes mal escritos. O resultado tem sido muitas doutrinas religiosas, filosóficas e políticas contraditórias e com potencial explosivo. Há livros didáticos que o professor repete sem nunca ter entendido. Em alguns casos os alunos só podem sair-se bem nas provas se advinharem a interpretação que o professor quer que seja dada ao autor do texto!
Imagine, caro leitor, o desastre do sistema educional que não leva esses fatos em consideração. Alguns textos são produzidos para passar ideologias, outros são mal escritos ou têm grau de dificuldade incompatível com a condição dos alunos. Você consegue enxergar uma solução para esse desastre?
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O filósofo e o ignorante
Filósofo, por definição, e em sentido não-profissional, é todo amigo do conhecimento e da sabedoria. Como tal, em qualquer atividade que exerça ele age como cientista, pesquisador e gerente, nos limites de suas possiblidades.
Ele analisa a sua realidade, qualquer que seja ela, para obter sempre a melhor qualidade em tudo que fizer, com a maior produtividade possível. Às vezes ele se dá ao luxo de refletir sobre coisas que sabe que jamais poderá compreender.
Não há assunto do qual o filósofo se prive de analisar silenciosamente para não emitir opinões irrefletidas. Orientando-se pela ciência, ele fica assombrado quando se depara com a constatação de Einstein de que a matéria é energia condensada, e que a energia é matéria expandida.
Analisando a religião, o filósofo questiona se há espírito, e se ele é algo como uma energia inteligente. Ele questiona se há Deus, a fonte imanente/transcendente de toda realidade. Mas, fazendo indagações tão profundas, corre o risco de dar-lhes respostas superficiais. Se isso acontecer é porque, de fato, ainda não entendeu a diferença entre opinião, crença e saber, nem a complementariedade entre razão e fé.
O grande salto do filósofo ocorre quando ele se torna consciente de sua finitude e ignorância, por mais que se esforce para conhecer. Nesse momento ele descobre que não é possivel buscar o conhecimento sem fé - não necessáriamente em sentido religioso -, assim como ocorreu com Einstein.
O ignorante que não usa o seu senso crítico diz: - eu não preciso estudar para descobrir que sou ignorante. A essa objeção o filósofo que descobriu a sua ignorância diz: - você está certo.
Ele analisa a sua realidade, qualquer que seja ela, para obter sempre a melhor qualidade em tudo que fizer, com a maior produtividade possível. Às vezes ele se dá ao luxo de refletir sobre coisas que sabe que jamais poderá compreender.
Não há assunto do qual o filósofo se prive de analisar silenciosamente para não emitir opinões irrefletidas. Orientando-se pela ciência, ele fica assombrado quando se depara com a constatação de Einstein de que a matéria é energia condensada, e que a energia é matéria expandida.
Analisando a religião, o filósofo questiona se há espírito, e se ele é algo como uma energia inteligente. Ele questiona se há Deus, a fonte imanente/transcendente de toda realidade. Mas, fazendo indagações tão profundas, corre o risco de dar-lhes respostas superficiais. Se isso acontecer é porque, de fato, ainda não entendeu a diferença entre opinião, crença e saber, nem a complementariedade entre razão e fé.
O grande salto do filósofo ocorre quando ele se torna consciente de sua finitude e ignorância, por mais que se esforce para conhecer. Nesse momento ele descobre que não é possivel buscar o conhecimento sem fé - não necessáriamente em sentido religioso -, assim como ocorreu com Einstein.
O ignorante que não usa o seu senso crítico diz: - eu não preciso estudar para descobrir que sou ignorante. A essa objeção o filósofo que descobriu a sua ignorância diz: - você está certo.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Compreendendo o outro
Para compreender o outro é preciso: 1) prestar atenção nos seus gestos, pois eles mostram a intenção por trás das palavras; 2) saber conduzir o diálogo produtivo; 3) colocar-se no seu lugar.
Quanto aos gestos, é fácil perceber quando eles estão em contradição com o que está sendo dito quando a pessoa não os dissimula intencionalmente. Para aprender a respeito, passe a observar as pessoas ao seu redor. Em especial, preste atenção nos filmes que ressaltam o comportamento humano, natural e simulado. O livro O Corpo Fala, de Pierre Weil, é bastante esclarecedor a respeito.
Quanto a saber conduzir o diálogo, aprenda, se possível, diretamente com os bons psicanalistas. O método deles consiste, na essência, em ouvir sem interromper a fala, porém dando indicações de aprovação ou criando oportunidades para a reflexão. Algumas fontes adicionais para se aprender a respeito são: a) Saber Escutar, um vídeo da Enciclopédia Britânica do Brasil; b) O Encontro Humano, um livro do famoso psicólogo humanista Carl Rogers.
Quanto à terceira etapa, é preciso imaginar como você se sentiria caso estivesse no lugar do seu interlocutor após compreendê-lo por meio das etapas 1 e 2. Isso pode mudar completamente a sua perspectiva antes de julgá-lo.
Em síntese, o caminho apresentado funciona quase perfeitamente quando o aplico, embora eu não tenha paciência para aplicá-lo sempre. Meu pai, um homem do povo, sem instrução, aplicava-o naturalmente com resultados impressionantes.
Quanto aos gestos, é fácil perceber quando eles estão em contradição com o que está sendo dito quando a pessoa não os dissimula intencionalmente. Para aprender a respeito, passe a observar as pessoas ao seu redor. Em especial, preste atenção nos filmes que ressaltam o comportamento humano, natural e simulado. O livro O Corpo Fala, de Pierre Weil, é bastante esclarecedor a respeito.
Quanto a saber conduzir o diálogo, aprenda, se possível, diretamente com os bons psicanalistas. O método deles consiste, na essência, em ouvir sem interromper a fala, porém dando indicações de aprovação ou criando oportunidades para a reflexão. Algumas fontes adicionais para se aprender a respeito são: a) Saber Escutar, um vídeo da Enciclopédia Britânica do Brasil; b) O Encontro Humano, um livro do famoso psicólogo humanista Carl Rogers.
Quanto à terceira etapa, é preciso imaginar como você se sentiria caso estivesse no lugar do seu interlocutor após compreendê-lo por meio das etapas 1 e 2. Isso pode mudar completamente a sua perspectiva antes de julgá-lo.
Em síntese, o caminho apresentado funciona quase perfeitamente quando o aplico, embora eu não tenha paciência para aplicá-lo sempre. Meu pai, um homem do povo, sem instrução, aplicava-o naturalmente com resultados impressionantes.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A lei fundamental do sucesso
Há muitas definições de sucesso: atingir metas, fazer o que se gosta, gostar do que se faz, ser feliz, ficar rico, entre outras. Há quase consenso de que não existem regras definidas e seguras para se chegar lá.
Entretanto, descobri recentemente um livro com um título bastante esclarecedor: A Única Lei do Sucesso. Concordei imediatamente com a receita apresentada: - Só o permanente confronto com a responsabilidade gera resultados.
Contudo, para os que acham que o sucesso consiste apenas em ganhar dinheiro, nunca é demais lembrar que há pessoas bilionárias frustradas por não poderem comprar aquilo que mais querem: respeito!
Entretanto, descobri recentemente um livro com um título bastante esclarecedor: A Única Lei do Sucesso. Concordei imediatamente com a receita apresentada: - Só o permanente confronto com a responsabilidade gera resultados.
Contudo, para os que acham que o sucesso consiste apenas em ganhar dinheiro, nunca é demais lembrar que há pessoas bilionárias frustradas por não poderem comprar aquilo que mais querem: respeito!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
O absoluto e o relativo
O homem, sendo finito e falível por natureza, não tem como fazer afirmações válidas sobre o absoluto por meios intelectuais. Ele só pode chegar à ideia do absoluto por opinião irresponsável, por crença irrefletida ou, usando o intelecto, por inferência. Entretanto, pelo mergulho no seu próprio ser, alguns místicos alegaram ter tido a experiência indescritível com o Absoluto.
A vida do homem dá-se no mundo relativo, onde se percebe, às vezes com dor, que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Não há Império que tenha durado para sempre, nem realizações que não tenham sido superadas ao longo do tempo. Tudo que é vivo morre, e mesmo a matéria está em constante mutação na sua forma. Portanto, não há como duvidar da relatividade das condições de existência.
Contudo, a vida que se desenvolve no mundo relativo exige, para a maioria das pessoas, referenciais absolutos. Entre as ideias que os homens transformam em ideais absolutos a serem realizados estão, por exemplo, as de justiça, beleza, verdade e bondade. Para a maioria das pessoas todas as buscas em direção ao absoluto se consolidam na ideia de Deus, que Platão chamou de o Supremo Bem.
A vida do homem dá-se no mundo relativo, onde se percebe, às vezes com dor, que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Não há Império que tenha durado para sempre, nem realizações que não tenham sido superadas ao longo do tempo. Tudo que é vivo morre, e mesmo a matéria está em constante mutação na sua forma. Portanto, não há como duvidar da relatividade das condições de existência.
Contudo, a vida que se desenvolve no mundo relativo exige, para a maioria das pessoas, referenciais absolutos. Entre as ideias que os homens transformam em ideais absolutos a serem realizados estão, por exemplo, as de justiça, beleza, verdade e bondade. Para a maioria das pessoas todas as buscas em direção ao absoluto se consolidam na ideia de Deus, que Platão chamou de o Supremo Bem.
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