Filósofo, por definição, e em sentido não-profissional, é todo amigo do conhecimento e da sabedoria. Como tal, em qualquer atividade que exerça ele age como cientista, pesquisador e gerente, nos limites de suas possiblidades.
Ele analisa a sua realidade, qualquer que seja ela, para obter sempre a melhor qualidade em tudo que fizer, com a maior produtividade possível. Às vezes ele se dá ao luxo de refletir sobre coisas que sabe que jamais poderá compreender.
Não há assunto do qual o filósofo se prive de analisar silenciosamente para não emitir opinões irrefletidas. Orientando-se pela ciência, ele fica assombrado quando se depara com a constatação de Einstein de que a matéria é energia condensada, e que a energia é matéria expandida.
Analisando a religião, o filósofo questiona se há espírito, e se ele é algo como uma energia inteligente. Ele questiona se há Deus, a fonte imanente/transcendente de toda realidade. Mas, fazendo indagações tão profundas, corre o risco de dar-lhes respostas superficiais. Se isso acontecer é porque, de fato, ainda não entendeu a diferença entre opinião, crença e saber, nem a complementariedade entre razão e fé.
O grande salto do filósofo ocorre quando ele se torna consciente de sua finitude e ignorância, por mais que se esforce para conhecer. Nesse momento ele descobre que não é possivel buscar o conhecimento sem fé - não necessáriamente em sentido religioso -, assim como ocorreu com Einstein.
O ignorante que não usa o seu senso crítico diz: - eu não preciso estudar para descobrir que sou ignorante. A essa objeção o filósofo que descobriu a sua ignorância diz: - você está certo.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Compreendendo o outro
Para compreender o outro é preciso: 1) prestar atenção nos seus gestos, pois eles mostram a intenção por trás das palavras; 2) saber conduzir o diálogo produtivo; 3) colocar-se no seu lugar.
Quanto aos gestos, é fácil perceber quando eles estão em contradição com o que está sendo dito quando a pessoa não os dissimula intencionalmente. Para aprender a respeito, passe a observar as pessoas ao seu redor. Em especial, preste atenção nos filmes que ressaltam o comportamento humano, natural e simulado. O livro O Corpo Fala, de Pierre Weil, é bastante esclarecedor a respeito.
Quanto a saber conduzir o diálogo, aprenda, se possível, diretamente com os bons psicanalistas. O método deles consiste, na essência, em ouvir sem interromper a fala, porém dando indicações de aprovação ou criando oportunidades para a reflexão. Algumas fontes adicionais para se aprender a respeito são: a) Saber Escutar, um vídeo da Enciclopédia Britânica do Brasil; b) O Encontro Humano, um livro do famoso psicólogo humanista Carl Rogers.
Quanto à terceira etapa, é preciso imaginar como você se sentiria caso estivesse no lugar do seu interlocutor após compreendê-lo por meio das etapas 1 e 2. Isso pode mudar completamente a sua perspectiva antes de julgá-lo.
Em síntese, o caminho apresentado funciona quase perfeitamente quando o aplico, embora eu não tenha paciência para aplicá-lo sempre. Meu pai, um homem do povo, sem instrução, aplicava-o naturalmente com resultados impressionantes.
Quanto aos gestos, é fácil perceber quando eles estão em contradição com o que está sendo dito quando a pessoa não os dissimula intencionalmente. Para aprender a respeito, passe a observar as pessoas ao seu redor. Em especial, preste atenção nos filmes que ressaltam o comportamento humano, natural e simulado. O livro O Corpo Fala, de Pierre Weil, é bastante esclarecedor a respeito.
Quanto a saber conduzir o diálogo, aprenda, se possível, diretamente com os bons psicanalistas. O método deles consiste, na essência, em ouvir sem interromper a fala, porém dando indicações de aprovação ou criando oportunidades para a reflexão. Algumas fontes adicionais para se aprender a respeito são: a) Saber Escutar, um vídeo da Enciclopédia Britânica do Brasil; b) O Encontro Humano, um livro do famoso psicólogo humanista Carl Rogers.
Quanto à terceira etapa, é preciso imaginar como você se sentiria caso estivesse no lugar do seu interlocutor após compreendê-lo por meio das etapas 1 e 2. Isso pode mudar completamente a sua perspectiva antes de julgá-lo.
Em síntese, o caminho apresentado funciona quase perfeitamente quando o aplico, embora eu não tenha paciência para aplicá-lo sempre. Meu pai, um homem do povo, sem instrução, aplicava-o naturalmente com resultados impressionantes.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
O absoluto e o relativo
O homem, sendo finito e falível por natureza, não tem como fazer afirmações válidas sobre o absoluto por meios intelectuais. Ele só pode chegar à ideia do absoluto por opinião irresponsável, por crença irrefletida ou, usando o intelecto, por inferência. Entretanto, pelo mergulho no seu próprio ser, alguns místicos alegaram ter tido a experiência indescritível com o Absoluto.
A vida do homem dá-se no mundo relativo, onde se percebe, às vezes com dor, que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Não há Império que tenha durado para sempre, nem realizações que não tenham sido superadas ao longo do tempo. Tudo que é vivo morre, e mesmo a matéria está em constante mutação na sua forma. Portanto, não há como duvidar da relatividade das condições de existência.
Contudo, a vida que se desenvolve no mundo relativo exige, para a maioria das pessoas, referenciais absolutos. Entre as ideias que os homens transformam em ideais absolutos a serem realizados estão, por exemplo, as de justiça, beleza, verdade e bondade. Para a maioria das pessoas todas as buscas em direção ao absoluto se consolidam na ideia de Deus, que Platão chamou de o Supremo Bem.
A vida do homem dá-se no mundo relativo, onde se percebe, às vezes com dor, que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Não há Império que tenha durado para sempre, nem realizações que não tenham sido superadas ao longo do tempo. Tudo que é vivo morre, e mesmo a matéria está em constante mutação na sua forma. Portanto, não há como duvidar da relatividade das condições de existência.
Contudo, a vida que se desenvolve no mundo relativo exige, para a maioria das pessoas, referenciais absolutos. Entre as ideias que os homens transformam em ideais absolutos a serem realizados estão, por exemplo, as de justiça, beleza, verdade e bondade. Para a maioria das pessoas todas as buscas em direção ao absoluto se consolidam na ideia de Deus, que Platão chamou de o Supremo Bem.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Os três tipos de moralidade segundo Will Durant
Will Durant, no seu livro A História da Filosofia, assumindo que não é possível fazer distinção significativa entre ética e moral, apresenta três conceitos de moralidade segundo sua origem em Platão, Jesus e Nietzsche.
Moralidade, disse Platão, é cada um ter e fazer o que lhe compete. Sob essa perspectiva, o conceito de moralidade se assemelha ao conceito de justiça. Mas é importante lembrar que na época de Platão havia escravidão, e que ele julgava justo que houvesse.
Moralidade, disse Jesus, é bondade para com os fracos. Para Jesus, a grandeza estaria em, tendo todo o poder, como Ele, abrir mão desse poder em prol do miserável pecador arrependido. Até mesmo o inimigo, quando em estado de necessidade, deveria ser socorrido.
Moralidade, disse Nietzsche, é a vontade do forte. Nieztsche preconizava o super-homem, que Hitler defendeu mais tarde.
Durant não escolhe, mas pergunta: - há alguma dúvida sobre qual conceito é o mais nobre?
Moralidade, disse Platão, é cada um ter e fazer o que lhe compete. Sob essa perspectiva, o conceito de moralidade se assemelha ao conceito de justiça. Mas é importante lembrar que na época de Platão havia escravidão, e que ele julgava justo que houvesse.
Moralidade, disse Jesus, é bondade para com os fracos. Para Jesus, a grandeza estaria em, tendo todo o poder, como Ele, abrir mão desse poder em prol do miserável pecador arrependido. Até mesmo o inimigo, quando em estado de necessidade, deveria ser socorrido.
Moralidade, disse Nietzsche, é a vontade do forte. Nieztsche preconizava o super-homem, que Hitler defendeu mais tarde.
Durant não escolhe, mas pergunta: - há alguma dúvida sobre qual conceito é o mais nobre?
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Algumas máximas sobre ética
Segundo o Novo Dicionário Aurélio ética é o "Estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto". Trata-se de um campo de estudos da filosofia, cujo resultado final se traduz numa máxima orientadora da ação.
Não faz sentido, portando, alguém dizer que "é preciso ter ética e responsabilidade". A ética é que pode classificar-se como sendo centrada na responsabilidade ou nos resultados sem apego a valores. Assim, é melhor referir-se à máxima que decorre do estudo da ética a partir de certas fontes. Eis algumas dessas máximas.
Faça aos outros aquilo que gostaria que eles lhe fizessem. (Fonte: é chamada de a Regra de Ouro, e pode ser encontrada em todas as grandes religiões e filosofias)
É melhor sofrer injustiça do que cometê-la. (Sócrates)
Aja de forma que a sua ação possa ser aplicada universalmente. (Immanuel Kant)
Não faz sentido, portando, alguém dizer que "é preciso ter ética e responsabilidade". A ética é que pode classificar-se como sendo centrada na responsabilidade ou nos resultados sem apego a valores. Assim, é melhor referir-se à máxima que decorre do estudo da ética a partir de certas fontes. Eis algumas dessas máximas.
Faça aos outros aquilo que gostaria que eles lhe fizessem. (Fonte: é chamada de a Regra de Ouro, e pode ser encontrada em todas as grandes religiões e filosofias)
É melhor sofrer injustiça do que cometê-la. (Sócrates)
Aja de forma que a sua ação possa ser aplicada universalmente. (Immanuel Kant)
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Um comentário sobre a natureza da ação
Em sentido amplo, não existe a possibilidade de o homem não agir, pois todo movimento ligado ao pensar e ao sentir já é ação. Em sentido restrito, a ação tem a ver com a consumação do pensamento e do sentimento, gerando resultados visíveis. Essa consumação, por sua vez, pode ser feita diretamente ou influenciando outros a agir por meio da comunicação.
No hinduismo e no budismo o agir gera débitos, ou "karma". No cristianismo a ação gera o "pecado" - em pensamentos, palavras e obras -. Nessas religiões assume-se que o meio termo está na ação responsável, coerente com os valores fundamentais da religião, o que elimina os efeitos do karma e do pecado.
No mundo secular, as propostas contemplam: 1) o agir pragmaticamente, isto é, sacrificar os valores aos fins - maquiavelismo, capitalismo selvagem, nazismo, fascismo e marxismo -; 2) o agir com senso crítico orientado por valores humanistas universais - liberalismo popperiano e social-democracia -; 3) postergar a ação e pregar grandes ideais - idealismo, racionalismo, sentimentalismo -.
Como ser potencialmente racional, o homem lida com o problema da ação investigando o verdadeiro e o falso: diante do fato consumado, preventivamente ou preditivamente. Entretanto, ele o faz a partir de valores que estão arraigados em sua consciência. Portanto, a investigação da natureza da ação é paralela à investigação do problema da verdade, mas limitada pelas crenças e valores que conduzem o investigador.
No hinduismo e no budismo o agir gera débitos, ou "karma". No cristianismo a ação gera o "pecado" - em pensamentos, palavras e obras -. Nessas religiões assume-se que o meio termo está na ação responsável, coerente com os valores fundamentais da religião, o que elimina os efeitos do karma e do pecado.
No mundo secular, as propostas contemplam: 1) o agir pragmaticamente, isto é, sacrificar os valores aos fins - maquiavelismo, capitalismo selvagem, nazismo, fascismo e marxismo -; 2) o agir com senso crítico orientado por valores humanistas universais - liberalismo popperiano e social-democracia -; 3) postergar a ação e pregar grandes ideais - idealismo, racionalismo, sentimentalismo -.
Como ser potencialmente racional, o homem lida com o problema da ação investigando o verdadeiro e o falso: diante do fato consumado, preventivamente ou preditivamente. Entretanto, ele o faz a partir de valores que estão arraigados em sua consciência. Portanto, a investigação da natureza da ação é paralela à investigação do problema da verdade, mas limitada pelas crenças e valores que conduzem o investigador.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Os quatro pilares da sabedoria de Deming
Willian Edwards Deming (1900-1993) é o homem que introduziu o conceito de Gestão pela Qualidade no Japão em 1950. Naquela época ele ressaltou: 1) o uso da estatítstica no controle econômico da qualidade; 2) a necessidade de visão sistêmica; 3) o fato de que a qualidade não se refere a produto, mas a pessoas. Ele foi conhecido como um Cristão cujos ensinamentos e prática de vida estavam de acordo com sua fé, embora não costumasse referir-se a ela no meio profissional.
Um pouco antes de morrer, Deming fez um balanço de sua aprendizagem e ensinamentos e concluiu que eles derivavam da aplicação integrada de quatro pilares fundamentais: visão sistêmica, pensamento estatístico, psicologia e teoria do conhecimento. Na sua opinião, não é necessário que se domine cada um desses pilares como especialista - isso pode ser até contraprodutivo -, mas que se esteja atento ao conjunto, fazendo questionamentos fundados nesses pilares.
A visão sistêmica nos ensina que o todo é um conjunto de partes integradas. Cada parte tem o seu valor único e, por menos relevante que pareça ser, pode destruir o sistema se não estiver no seu lugar, em perfeitas condições de funcionamento. O homem, sendo o elemento central dos sistemas produtivos, precisa ser compreendido em suas necessidades e desejos, o que implica estudar pisicologia individual e do grupo. O pensamento estatistico afinado é necessário para avaliar o desempenho do sistema e de suas partes, mas é preciso tomar cuidado para não pensar em resultados sem a visão sistêmica e, principalmente, sem compreender o homem. Esses três pilares dependem, por sua vez, de uma teoria do conhecimento apropriada.
Nos últimos quinze anos, após ter tomado conhecimento desses pilares, procurei integrá-los como elementos inerentes à Dinâmica do Conhecimento Produtivo. Com isso, todo trabalhador deve ser visto como um estrategista na arte de lidar com conhecimento produtivo a partir da sua área de atuação. O seu método básico passa a ser o mesmo dos cientistas, engenheiros e gerentes. Assim, tem-se uma nova base para a formação do trabalhador da Era do Conhecimento, adequado às necessidades de uma Nova Economia (veja-se o livro de Deming "A Nova Economia").
Um pouco antes de morrer, Deming fez um balanço de sua aprendizagem e ensinamentos e concluiu que eles derivavam da aplicação integrada de quatro pilares fundamentais: visão sistêmica, pensamento estatístico, psicologia e teoria do conhecimento. Na sua opinião, não é necessário que se domine cada um desses pilares como especialista - isso pode ser até contraprodutivo -, mas que se esteja atento ao conjunto, fazendo questionamentos fundados nesses pilares.
A visão sistêmica nos ensina que o todo é um conjunto de partes integradas. Cada parte tem o seu valor único e, por menos relevante que pareça ser, pode destruir o sistema se não estiver no seu lugar, em perfeitas condições de funcionamento. O homem, sendo o elemento central dos sistemas produtivos, precisa ser compreendido em suas necessidades e desejos, o que implica estudar pisicologia individual e do grupo. O pensamento estatistico afinado é necessário para avaliar o desempenho do sistema e de suas partes, mas é preciso tomar cuidado para não pensar em resultados sem a visão sistêmica e, principalmente, sem compreender o homem. Esses três pilares dependem, por sua vez, de uma teoria do conhecimento apropriada.
Nos últimos quinze anos, após ter tomado conhecimento desses pilares, procurei integrá-los como elementos inerentes à Dinâmica do Conhecimento Produtivo. Com isso, todo trabalhador deve ser visto como um estrategista na arte de lidar com conhecimento produtivo a partir da sua área de atuação. O seu método básico passa a ser o mesmo dos cientistas, engenheiros e gerentes. Assim, tem-se uma nova base para a formação do trabalhador da Era do Conhecimento, adequado às necessidades de uma Nova Economia (veja-se o livro de Deming "A Nova Economia").
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
O problema central da verdade
O problema central da verdade, conforme ressalta Bazarian (BAZARIAN, Jacob. O Problema da Verdade.) é encontrar um critério de verdade que seja verdadeiro. Esse problema coloca a todos, crentes e ateus, filósofos, cientistas, engenheiros, gerentes e empresários numa rotatória com muitas alternativas de saída, mas sem garantia de que as saídas levarão ao destino final desejado.
Popper, o racionalista crítico antimarxista, afirma que não existem critérios absolutos de verdade, nem a possibilidade de certeza sobre a possível verdade encontrada. Na sua opinião, em quaisquer situações, mesmo nas ciências naturais, só podemos contar com conjeturas. O conhecimento que pareça mais sólido é apenas conjetural, podendo ser criticado e reformado ou, no mínimo, deixado em aberto para críticas em momentos oportunos.
Einstein afirmou (EINSTEIN, Albert. Notas Autobiográficas) que o salto para a verdade não decorre de experimentos, nem da lógica, embora experimento e lógica sejam parte da investigação científica. Ele afirma que, para avançar, é preciso ter fé, embora não em sentido religioso.
Creio que até mesmo na religião é essa rotatória que está em jogo. Neste caso, só se pode sair dela pela fé. Porém, essa fé só faz sentido se houver a experiência com o divino que se busca e que se manifesta no amor.
Concluindo: o problema central da verdade coloca-se ao ser humano no ato de viver. Ele é obrigado a vivenciar e experimentar, mas os resultados obtidos, embora possam ser úteis, nem sempre são verdadeiros. Cada passo dado em situações novas é um passo de fé na existência daquilo que se procura. A aproximação da verdade depende da eliminação de erros no curso das vivências e experiências.
Popper, o racionalista crítico antimarxista, afirma que não existem critérios absolutos de verdade, nem a possibilidade de certeza sobre a possível verdade encontrada. Na sua opinião, em quaisquer situações, mesmo nas ciências naturais, só podemos contar com conjeturas. O conhecimento que pareça mais sólido é apenas conjetural, podendo ser criticado e reformado ou, no mínimo, deixado em aberto para críticas em momentos oportunos.
Einstein afirmou (EINSTEIN, Albert. Notas Autobiográficas) que o salto para a verdade não decorre de experimentos, nem da lógica, embora experimento e lógica sejam parte da investigação científica. Ele afirma que, para avançar, é preciso ter fé, embora não em sentido religioso.
Creio que até mesmo na religião é essa rotatória que está em jogo. Neste caso, só se pode sair dela pela fé. Porém, essa fé só faz sentido se houver a experiência com o divino que se busca e que se manifesta no amor.
Concluindo: o problema central da verdade coloca-se ao ser humano no ato de viver. Ele é obrigado a vivenciar e experimentar, mas os resultados obtidos, embora possam ser úteis, nem sempre são verdadeiros. Cada passo dado em situações novas é um passo de fé na existência daquilo que se procura. A aproximação da verdade depende da eliminação de erros no curso das vivências e experiências.
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Reflexão sobre os tipos de linguagem
Esta reflexão ressalta os quatro tipos de linguagem derivadas da classificação aristotélica: a poética, a retórica, a lógica e a dialética. Essa ênfase torna-se importante tendo em vista a criação de cultura, a comunicação humana e a busca da verdade em geral.
A linguagem poética visa a deleitar a alma e, também, a abrir as portas da comunicação. A linguagem retórica visa a convenver o interlocutor a optar por determinado curso de ação pela combinação de emoção e razão. A linguagem lógica visa a garantir a consistência interna do que está sendo dito, abrindo caminho para a ciência. A dialética visa à identificação da verdade ou à construção do consenso levando-se em conta as opiniões dos participantes do diálogo.
A busca do conhecimento depende, em parte, de se combinarem imaginação, lógica e dialética, esta reformulada como método científico por excelência. Embora reivindicada por adeptos de Marx como sua contribuição ao método científico - veja-se, por exemplo, o artigo Saber e Prática, de Mao Tze Tung -, ela pode ser encontrada no método de pesquisa mais avançado, como aquele usado por Einstein.
A linguagem dialética pode incluir, momentaneamente, a poética e a retórica, desde que esses níveis anteriores sejam filtrados, em algum momento, pela análise lógica. Entretanto, a dialética que fica no plano das palavras torna-se idealismo ou racionalismo puro, nada gerando de conhecimento produtivo.
O mal uso da dialética levou a que se perdesse muito tempo discutindo o sexo dos anjos. Quando usada como arma retórica, levou a que certos impasses fossem resolvidos pela eliminação física do opositor, como acontecia nos encontros entre nazistas e marxistas na alemanha de Hitler.
Como lição para o contexto deste blog - compreender e transformar - deve-se prestar muita atenção à linguagem, pois ela pode ser usada, e tem sido usada, com o objetivo principal de exercer o poder sobre aqueles que não a compreendem.
A linguagem poética visa a deleitar a alma e, também, a abrir as portas da comunicação. A linguagem retórica visa a convenver o interlocutor a optar por determinado curso de ação pela combinação de emoção e razão. A linguagem lógica visa a garantir a consistência interna do que está sendo dito, abrindo caminho para a ciência. A dialética visa à identificação da verdade ou à construção do consenso levando-se em conta as opiniões dos participantes do diálogo.
A busca do conhecimento depende, em parte, de se combinarem imaginação, lógica e dialética, esta reformulada como método científico por excelência. Embora reivindicada por adeptos de Marx como sua contribuição ao método científico - veja-se, por exemplo, o artigo Saber e Prática, de Mao Tze Tung -, ela pode ser encontrada no método de pesquisa mais avançado, como aquele usado por Einstein.
A linguagem dialética pode incluir, momentaneamente, a poética e a retórica, desde que esses níveis anteriores sejam filtrados, em algum momento, pela análise lógica. Entretanto, a dialética que fica no plano das palavras torna-se idealismo ou racionalismo puro, nada gerando de conhecimento produtivo.
O mal uso da dialética levou a que se perdesse muito tempo discutindo o sexo dos anjos. Quando usada como arma retórica, levou a que certos impasses fossem resolvidos pela eliminação física do opositor, como acontecia nos encontros entre nazistas e marxistas na alemanha de Hitler.
Como lição para o contexto deste blog - compreender e transformar - deve-se prestar muita atenção à linguagem, pois ela pode ser usada, e tem sido usada, com o objetivo principal de exercer o poder sobre aqueles que não a compreendem.
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